Prazos de recebimento

Uma informação muito importante que afeta diretamente o fluxo de caixa de seu negócio e que deveria ser muito mais discutida é a questão do prazo de recebimento de cada meio de pagamento.

      No quesito de fluxo de caixa, não tem condição melhor do que receber antecipado, ou seja, boleto bancário. Você recebe antes de enviar a mercadoria e além de praticamente eliminar os riscos de fraude melhora em muito a saúde financeira da operação.

      Como será visto em práticas comerciais, não é a toa que as empresas incentivam a utilização do pagamento no boleto oferecendo descontos.

      Se a venda for por cartão de crédito via intermediários, o prazo de recebimento pode ser de 2 a 30 dias, irá depender do meio de pagamento. Inclusive existem intermediários que oferecem vários formatos, cobrando taxas diferenciadas para cada prazo de recebimento. Por exemplo, a Pagar.mr utiliza prazo de 30 dias com taxa de 3.99% (sujeito a alteração) e taxa de 4.99% com prazo de 15 dias.

      Já os adquirentes diretos repassam os valores conforme o parcelamento com prazo de 30 dias. Se você vender em 3x, irá receber em 30, 60, 90 dias. A taxa é menor, porém recebe em longo prazo.

      No caso dos adquirentes, muitos oferecem a antecipação dos recebíveis, porém cobram juros para tanto. Muitos lojistas se informam qual é esse juros ou taxa de antecipação e configuram essa taxa nos juros que a loja cobra de parcelamento, justamente para poderem faz a antecipação sem onerar a margem do produto.

Uma coisa é certa, se você for trabalhar com parcelamento sem juros, você precisa precificar isso na sua margem do produto. Não existe nunca, sem juros. O juros está saindo de algum lugar, normalmente é o cliente que paga sem saber.

Em resumo o prazo de recebimento depende de suas modalidades de pagamento disponíveis na loja.  Leve em consideração isso ao montar seu planejamento financeiro e fazer sua precificação dos produtos.

Configuração de forma de pagamento

Antes de configurar as formas de pagamento, consulte na plataforma que você escolheu para trabalhar quais as formas de pagamento disponíveis. E então faça o cadastro junto a forma de pagamento que irá trabalhar.

A configuração muda de plataforma para plataforma, mas normalmente é muito simples e tendo dificuldades contate o suporte da plataforma (este é um dos motivos que vale a pena você utilizar uma plataforma paga).

Normalmente as configurações de meios de pagamento estão centralizadas em menu formas de pagamento ou meios de pagamento. Deve haver uma opção para configuração e outra para ativação.

Cuidados com fraude

Já citamos acima que existem fraudes tanto com cartões como com boleto e depósito. A regra básica para boleto bancários e depósito é: somente despache ou entregue a mercadoria quando o dinheiro estiver liberado na conta. Não confie em comprovantes enviados por e-mail, ou outro formato. Os golpistas sempre têm muita lábia e tentarão a todo custo lhe convencer a enviar a mercadoria. Fique atento.

Em relação a cartões de crédito, se for operar diretamente com adquirentes é obrigatório trabalhar com algum sistema antifraude. Os melhores e mais conhecidos são F-control, ClearSale e Konduto. Normalmente eles cobram algo em torno de R$ 0,50 por consulta, (Clear Sale, mudou o formato no final de 2019 e cobra por % de venda) e através dos dados da compra fazem um cruzamento de informações onde apontam uma nota de risco (risk scoring). Que você poderá analisar se a venda é de baixo, médio ou alto risco.

Exemplificando: 

Um cliente que normalmente faz compras online, fez uma compra. Muito provavelmente as empresas citadas acima já têm o cadastro dele. Se os dados como e-mail, telefone, endereço, CEP, CPF, que ele informou na compra ou cadastro na sua loja virtual estiverem batendo com os dados que eles já têm no banco de dados. A compra será de baixo risco. Porém se somente o nome e CPF baterem e o restante dos dados for diferente, principalmente de outra cidade. A avaliação será de alto risco. Pois provavelmente alguém está com o cartão do cliente fazendo compras para serem entregues em outro endereço.

Estes sistemas antifraude têm um banco de dados muito grande, então eles irão com certeza auxiliá-lo a prevenir fraudes, mas não irão evitar 100% das fraudes.

Se você trabalha com produtos de muito valor como jóias, a ClearSale tem um serviço de venda garantida, que você apertando um botão eles vão analisar a venda manualmente e darão uma aprovação de sim ou não.

Se você optar pela compra garantida e for golpe eles lhe reembolsarão. Obviamente o serviço é cobrado, se não me engano 1% sobre o valor da venda.

Quando você opera com intermediários este serviço de antifraude já está incluso, inclusive com a análise e aprovação deles.

Se houver chargeback o problema é do intermediário e não mais seu. A diferença é que existe um prazo de disputa, onde o comprador pode abrir uma reclamação e alegar que o produto não é o que ele comprou, que veio com defeito, ou não veio, e assim pode cancelar o pagamento. Mas o prazo de disputa normalmente é de 30 dias.

Uma vez que o intermediário sinalizou a venda como aprovada, o risco de chargeback é inteiramente dele.

Descredenciamento por fraudes: se sua loja virtual for muito visada por golpistas e tiver um grande número de tentativas de fraude é comum o meio de pagamento lhe dar um alerta e se o problema persistir você ser desfiliado e não poder mais utilizar o meio de pagamento. Isso ocorre mais do que se imagina.

As melhores plataformas de e-commerce possuem algumas travas de segurança para evitar este tipo de problemas. Sistemas inteligentes realizam comparações nas últimas vendas e cadastros a fim de identificar fraudes em seqüência, mesmo fraudes que utilizam robôs e vários IP´s de origem distinta.

Dica: este é um dos motivos que recomendamos fortemente o uso de um sistema profissional de e-commerce, que realmente tenha suporte eficiente e ágil. Em nenhuma plataforma open source você irá encontrar soluções como as descritas acima.

Principais formas de pagamento do mercado

Hoje existem dezenas de formas de pagamento, contudo sempre recomendamos prudência e operar somente com formas de pagamento que sejam confiáveis e que tenham lastro financeiro, ou seja, que tenham uma empresa grande por trás.

      Quem é mais antigo no mercado nacional de e-commerce se recorda de uma empresa chamada Sendep, que era um intermediário de pagamentos que simplesmente parou de funcionar da noite para o dia e “sumiu” com o dinheiro de muitas pessoas.  

      Então cito algumas formas de pagamento confiáveis:

  • Intermediários:
    • PagSeguro
    • Pagar.me 
    • PayU
    • MercadoPago
    • Paypal
    • Paggi
    • MundiPagg
    • WireCard
    • PagHiper
    • PicPay
  • Adquirentes diretos:
    • Cielo
    • Rede
    • Getnet
    • Stone
    • Paggi

Outras formas de pagamento

Existem outras formas de pagamento menos utilizadas, como pagamento contra-entrega, pagamento na retirada na loja física, reembolso postal, sedex a cobrar, algumas lojas tem até mesmo pagamento faturado com boleto.

De qualquer forma estas são formas muito menos utilizadas, cartão de crédito e boleto são o padrão de mercado.

Algumas lojas que operam no formato atacado, possuem formas de pagamento faturado, com prazos de pagamento via boleto. Isso não é padrão de mercado e só é ativado em casos de clientes que já tem cadastro prévio e crédito aprovado junto à loja. É uma possibilidade, contudo é raro encontrar isso em plataformas de e-commerce prontas.

Cartões de crédito

Cartão de crédito pode ser direto com as adquirentes ou via intermediários. Inclusive alguns adquirentes também já aceitam cartões de débito.

Enfim o que são intermediários e adquirentes?

Adquirentes são as empresas que operam diretamente os cartões de crédito e débito. Por exemplo:

  • Cielo (antiga visanet)
  • Rede (antiga Redecard)
  • Stone
  • Getnet
  • Paggi
  • Bin

Nestes casos a loja virtual transacional diretamente com as adquirentes sem intermediários. Para transacionar diretamente com adquirentes sempre é recomendado utilizar um gateway.

Intermediários são meios de pagamento que basicamente intermediam a conexão da loja com os adquirentes e agregam serviços de antifraude a cada transação, obviamente cobrando uma pequena taxa sobre as transações.

Alguns dos intermediários mais conhecidos e utilizados:

  • PagSeguro
  • Pagar.me
  • PayU (antigo pagamento digital)
  • MercadoPago
  • Wirecard (antigo moip)
  • Paypal

Definitivamente para quem está começando uma loja virtual é recomendado o uso de intermediários. É mais fácil e mais cômodo, principalmente devido a questão de fraudes (quando se opera com cartões de crédito), o famoso chargeback. Os intermediários já prestam esse serviço, isentando o lojista desta preocupação. 

Dica:

Alguns intermediários tiraram a garantia de proteção de charge back do serviço padrão para poder exibir tarifas mais baixas. Antes de contratar um intermediário consulte a garantia de proteção de charge back.

Chargeback é quando uma compra que foi aprovada pela administradora do cartão de crédito não é reconhecida pelo proprietário do cartão. Sendo estornado o pagamento do lojista. Este é um assunto extenso e podemos falar sobre ele em um tópico futuro.

Então explicando o que são adquirentes e intermediários. Alguns adquirentes além de cartões de crédito e débito passaram também a oferecer serviços de boleto bancários, caso de Cielo e Stone. Intermediários de longa data já oferecem a opção de boleto bancário também.

Em relação a taxas, elas variam muito e vão de segmento a segmento, então os valores que passamos no curso, são apenas ilustrativos, você pode contratar o serviço principalmente das adquirentes e pode ter uma taxa maior ou menor.

Normalmente as adquirentes cobram uma taxa de 2.99% até 3.99% sobre a transação aprovada no cartão de crédito, e normalmente 0.5% inferior para transações no débito. Mas lembre-se sem antifraude e sem garantia de recebimento incluso.

Os intermediários trabalham com taxas que variam de 3.99% até 6.5%, já com antifraude e garantia de recebimento.

O prazo de recebimento dos adquirentes é igual aos das maquinetas, se for à vista é em 30 dias, se for parcelado é conforme as parcelas, 30, 60, 90, etc … isso pode ser antecipado junto ao seu banco, obviamente com custo extra.

Então esteja muito ciente que parcelar em 3 ou 6 vezes sem juros, o custo sai do seu bolso. Você terá que embutir isso na sua margem.

O prazo de recebimento dos intermediários normalmente é de 14 ou 30 dias. Taxas menores como o Pagar.me que cobra 3.99% + R$ 0,40 por transação aprovada, o prazo de recebimento do dinheiro é de 30 dias. Inclusive é possível negociar para receber em 14 dias, porém a taxa sobe.

Importante: Nosso objetivo aqui não é indicar ou recomendar nenhum meio de pagamento. Sempre consulte e pesquise as taxas no site dos meios de pagamento. As taxas aqui exibidas podem, e provavelmente mudaram.

Depósito bancário

Depósito bancário, nenhum mistério, o cliente deposita o valor diretamente em sua conta. Particularmente não recomendo o uso de depósito bancário, pois não existe prazo de vencimento e assim você fica com a mercadoria retida ou parada até o cliente depositar.  Imagine duas compras com o mesmo valor, como você vai saber de quem é o depósito?

Outro ponto é a questão de ir até o banco, compare com o boleto que tem prazo e pode ser pago em qualquer banco, é algo muito mais inteligente e fácil de controlar.

Novamente, somente libere produtos após o pagamento estar 100% confirmado pelo banco, jamais confie em comprovantes enviados por e-mail, whatsapp, fax… Já vi muitas tentativas de fraude com comprovantes falsificados, agendamentos e até mesmo depósitos feitos em máquinas sem nada dentro.

Me recordo de um caso de um lojista que pouco tempo após inaugurar sua loja virtual teve uma venda de valores significativos, o suposto comprador se cadastrou com o nome de uma Universidade Federal e alegava ser professor, até o email era algo do tipo professorjoao@gmail.com. Ele comprou dois produtos que estavam marcados como “em estoque – entrega imediata” na loja virtual. E escolheu a opção de pagamento de depósito.  Ele comprou logo após o almoço e após efetuar a compra ligou para a loja virtual se identificando e contando uma estória de que era para um projeto urgente, orientou que a emissão da nota teria de ser para a Universidade com um código de projeto etc …  Falou que iria fazer o depósito no caixa com seus recursos mesmo e as orientações específicas na nota eram necessárias para ele obter o reembolso junto a Universidade.  Alguns minutos depois enviou um comprovante de depósito por email e ligou pedindo a máxima urgência no despacho da mercadoria.  O depósito nunca caiu na conta, era um envelope vazio, e o lojista quase caiu no golpe. O que salvou o lojista foi ele ter ligado para o suporte da plataforma e ter pedido uma orientação de como proceder. De imediato orientamos o lojista a não despachar a mercadoria e aguardar a liquidação do depósito na conta. E algo importante alguns bancos, cito o Bradesco, quando se faz um depósito em máquina de auto atendimento até aparece no extrato da conta, depósito a compensar ou algo assim. E isso pode confundir o lojistas, porém aquele depósito ainda não está liberado.

Boleto bancário

Boleto bancário pode ser direto com o banco. O cliente paga o boleto emitido na compra na loja virtual e o valor entra direto na sua conta bancária.

Intermediários (sub adquirentes) e adquirentes também oferecem o serviço de boleto. Mas estes valores não entram direto em sua conta, são depositados em uma conta virtual na própria sub adquirente.

Quando você emite um boleto diretamente com o banco, normalmente os custos giram em torno de R$ 3,00 por boleto emitido, mesmo se o boleto não for pago. Boletos emitidos via intermediários somente são cobrados (da emissão) quando forem pagos pelos compradores.

Boletos emitidos via banco normalmente tem prazo de recebimento, ou liquidação na conta D+1 ou D+2, ou seja, 2 ou três dias úteis após o pagamento.

Boletos gerados via intermediários o valor é praticamente o mesmo, contudo o valor vai para a conta virtual do intermediário e normalmente só se paga o valor do boleto quando o boleto é de fato pago. Boletos gerados e não pagos não são cobrados (no caso dos intermediários).

Meios de pagamento que eu recomendo para operar com boleto bancário: Paghiper, Pagar.me, Mercado Pago. Boas taxas e confiáveis. 

Dica: somente libere produtos após o pagamento estar 100% confirmado pelo banco, jamais confie em comprovantes enviados por e-mail, whatsapp, fax… Já vi muitas tentativas de fraude com comprovantes falsificados e agendamento de pagamento. Agendamento de pagamento não é o mesmo que um pagamento, fique atento.

Meios de pagamento

Meios de pagamento são as formas de recebimento pelas compras em sua loja virtual. Como os consumidores irão pagar pelas compras. Existem várias formas de recebimento e neste capítulo iremos abordar as principais.        

Basicamente existem três formas de pagamento para loja virtual.  Boleto bancário, depósito bancário e pagamento no cartão (crédito e débito).

Antes de continuar só explicar dois termos:

Adquirentes: São as principais empresas de cartões de crédito

Sub Adquirentes: são empresas que também oferecem serviços de cartão de crédito, basicamente eles revendem os serviços das adquirentes.